Não há duas sem três, nem quatro sem cinco.....
A minha quarta reforma. Não, não tenho quatro pensões de reforma. Quero apenas dizer que esta reforma da Segurança Social é a quarta que altera as minhas expectativas.
Comecei a trabalhar aos 15 anos e entrei no regime das Caixas de Previdência. A minha pensão de reforma era em capitalização colectiva. Existiam reservas financeiras investidas em obrigações do Estado, acções das hidroeléctricas, casas dos bairros sociais, etc. Em 1984 entrei para o regime Geral da Segurança Social e a minha pensão passou a ser em regime de repartição, isto é sem reservas. Em 2000 o PS aprovou a Lei 17/2000 que alterou a fórmula de cálculo da Pensão. Esta Lei mal teve tempo de respirar porque em 2002 o PSD/CDS aprovou a lei 32/2002 que alterava, mais na forma do que no conteúdo, a Lei anterior. Em 2006 o PS propõe alterações à Lei em vigor e introduz, nomeadamente, o factor de sustentabilidade para financiar o excesso de longevidade. Isso significa que a minha pensão vai baixar. Em quatro anos as minhas expectativas baixaram 25%! Mas continuei a pagar o mesmo. Para a solidariedade entre todos os portugueses, o que até acho bem. Dizem que não há duas sem três. Pois eu garanto que não há quatro sem cinco! Ou seja, dentro de 5 anos, estou pronto para mais uma reforma.
Thursday, May 25, 2006
Sunday, May 21, 2006
A formiga trabalhou toda a vida e nunca teve reforma. A cigarra, como não era parva, nunca mexeu uma palha. Nunca precisou de reforma, porque já nasceu cansada. Moral da história. Sem cigarra não havia história, nem formiga poupadinha. Fernando Pessoa, tradutor e correspondente de firmas estrangeiras, pelo que se sabe, também não teve reforma. Bons tempos em que os contribuintes partiam cedo para a eternidade!
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csi
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Saturday, May 20, 2006
Bernardo Soares, contabilista na Rua dos Douradores, habitando num prédio da Rua dos Douradores, comendo na tasca do Antunes na Rua dos Douradores e freguês da Tabacaria Alves na Rua dos Douradores, começou a descontar para a Caixa de Previdência aos 14 anos. Hoje tem 60 anos e Alvaro de Campos, engenheiro naval de Glasgow e poeta do Grupo do Orfeu, disse-lhe que ele vai ter um problema de longevidade e que vai viver até aos 80 anos. Portanto vai ter de trabalhar mais 10 anos. O pior é que depois de 40 anos de descontos já não adquire mais nenhum direito de pensão. Em Esparta abandonavam os velhos nas montanhas para diminuirem o envelhecimento da população. A cidade poupava uma pipa de massa e ainda ficava com os descontos para enviar os jovens atletas aos Jogos Olímpicos em Atenas.
O Zé Melro, amigo do Pereira, vendedor de bugigangas e consultor de negócios em part-time, aconselhou-o a investir em conservas, frutos secos, bacalhau, compotas, bolachas, e outros produtos de longa duração para o dia em que tiver de ir para o armazém-lar dos seniores na Rua dos Douradores. Como também vende bengalas fez-lhe um desconto de 30% numa de polietileno para quando precisar. Não deixe para amanhã o que pode comprar hoje.....
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csi
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Thursday, May 18, 2006
Sobre a reforma, Fernando Pessoa teria dito: "Como Keynes afirmava " a longo prazo" estaremos todos mortos". Portanto em 2050, se Deus quiser, já não estaremos vivos para vermos o resultado das decisões que tomarmos em 2006. Bernardo Soares que era um pessimista, não descontava para a Caixa de Previdência dos Contabilistas, porque tinha a impressão que ía morrer cedo. Aliás no enterro de Ricardo Reis, seu companheiro de odes e pagodes, Alvaro de Campos tinha-lhe sussurado ao ouvido "eu não te dizia que o tipo, apesar de ser médico, não controlava a tensão arterial!". Quem vai agora herdar a casa do Bairro Alto?
O Pereira é que tem razão. O Zé Melro, que vende gravatas e bugigangas, não aceita cheques e gasta tudo hoje, porque amanhã pode estar morto! Abrenúncio!
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A partir de hoje e de vez em quando Fernando Pessoa, os heterónimos e os ortónimos divagam sobre Segurança Social. Afinal é mesmo um "problema" e não uma certeza.....
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Monday, May 15, 2006
Fernando Pessoa e a reforma da Segurança Social...a seguir
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csi
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