Fernando Pessoa é um dos 10 portugueses escolhido para figura de o maior português de sempre. É justo. Finalmente um português do quotidiano consegue ser o heroi de todos nós. A sua poesia é imortal. Como neste poema:
Chove. É dia de Natal
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Monday, December 25, 2006
Sunday, December 17, 2006
De mal a pior
As más notícias: Taxas de juro a subirem, endividamento a crescer, mais despesas para rendimentos estagnados. No Correio da Manhã de hoje, mais uma péssima notícia para os reformados da Função Pública.
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=224526&idCanal=181
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Tuesday, December 12, 2006
Na suécia a pensão de velhice premeia carreiras longas e incentiva a poupança.
Taxa de câmbio 1 euro igual a 9,0605 Kronor (12-12-06)
"Old-Age Benefits
Earnings-related old-age pension (old system): The pension is equal to 60% of average income above 40,500 kronor in the 15 best years of income. Income in years in which earnings were below 40,500 kronor is compensated at 96% for a single pensioner; 78.5% for a married pensioner.
The average income level for benefit calculation purposes varies from year to year.
The full pension requires at least 30 years of coverage. The pension is reduced proportionally for shorter periods of coverage.
Early pension: The pension is permanently reduced by 0.5% for each month the pension is taken before age 65. Deferred pension: The pension is permanently increased by 0.7% for each month of deferral if the pension is deferred until age 70.
Old-age pensions are subject to taxation.
Benefit adjustment: Benefits are adjusted annually according to changes in the wage index.
Earnings-related old-age pension (new system): The pension provided by the notional account is calculated using an annual index, based on the development of average wages (disability pension payments are counted as earnings for this purpose), plus an annuity factor depending on average life expectancy at the time of retirement for the appropriate age cohort and on a “norm” for the expected increase of average wages in future years. The pension payments are calculated by dividing total accrued pension assets by this factor.
Life expectancy is based on the most recent 5-year average of unisex life expectancy statistics.
The norm for the increase in average wages is set at 1.6%.
Old-age pensions are subject to taxation.
Benefit adjustment: Benefits are adjusted annually according to changes in the wage index.
Premium pension (new system):
The pension is based on contributions plus net returns converted into an individual, joint, fixed, or variable annuity. Old-age pensions are subject to taxation.
Benefit adjustment: Benefits are adjusted annually according to changes in the wage index.
Guarantee pension (old and new systems): If born in1938 or later, 84,561 kronor for a single pensioner (75,430 kronor for a married pensioner) with at least 40
years of residence and without an earnings-related pension. If born in 1937 or earlier, 86,602 kronor for a single pensioner (77,153 kronor for a married pensioner). Old-age pensions are subject to taxation.
Benefit adjustment: Benefits are adjusted annually in relation to changes in the consumer price index."
in "Social Security throughout the World" USA Social Security Administration and ISSA"
Contribuição
Insured person: 7% of assessable income (up to 359,115 kronor) for old-age insurance; no contribution for the survivor pension.
Employer: 10.21% of payroll for old-age insurance, plus 1.7% of payroll for the survivor pension.
Note: The combined total of contributions of the insured person and the employer (plus a small government appropriation for government employee pension rights for child care years, national service, and study periods) is 16% for the earnings-related component and 2.5% for the premium pension component.
Conclusão. Na Suécia também há tectos contributivos e a Segurança Social não está falida!
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Sunday, December 10, 2006
Para conhecimento e decisão individual:
1. Em 1984 a Lei de Bases da Segurança Social garantia uma pensão de reforma calculada da seguinte forma:
2%*carreira contributiva*média salarial dos melhores cinco salários dos últimos dez anos
2. Em 1992 a revisão da Lei de Bases de 1984 passou a garantir uma pensão calculada da seguinte forma:
2%*carreira contributiva*média dos melhores dez salários dos últimos quinze anos
3. Em 2002 a nova Lei de Bases garantia uma pensão calculada da seguinte forma:
3.1. aos beneficiários inscritos até 31-12-2001:
a melhor das três pensões:
2%*carreira contributiva*média salarial dos melhores dez dos últimos quinze anos ou
(Percentagem entre 2,30% e 2%)*média salarial de toda a carreira contributiva ou
Combinação das anteriores na proporção do tempo em cada uma das Leis
3.2. aos beneficiários inscritos a partir de 01-01-2002
(Percentagem entre 2,30% e 2%)*média salarial de toda a carreira contributiva
4. Em 2006 a novísima lei de Bases, que entra em vigor em 2007, garante uma pensão calculada da seguinte forma:
(Percentagem entre 2,30% e 2%)*média salarial de toda a carreira contributiva*factor de sustentabilidade (inferior a 1)
Elimina a opção pela melhor das três pensões para os inscritos até 31-12-2001
Todas as mudanças foram no sentido da redução das expectativas. Compete-lhe a si, caro visitante da página, tomar a melhor decisão. lembre-se que, se estiver muito longe da idade da reforma, as promessas só comprometem quem nelas acredita.
Fernando Pessoa teria declamado o seu poema " comboio descendente ."
Comboio Descendente
No comboio descendente/Vinha tudo à gargalhada./Uns por verem rir os outros/E outros sem ser por nada/No comboio descendente/De Queluz à Cruz Quebrada.../No comboio descendente/Vinham todos à janela/Uns calados para os outros/E outros a dar-lhes trela/No comboio descendente/De Cruz Quebrada a Palmela.../No comboio descendente/Mas que grande reinação!/Uns dormindo, outros com sono,/E outros nem sim nem não/No comboio descendente/De Palmela a Portimão.
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Wednesday, December 06, 2006
A Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG) vai aumentar 4,4 por cento, ou seja, 17,1 euros no próximo ano, para os 403 euros, subindo depois gradualmente até atingir os 500 euros em 2011. Cito do Correio da Manhã de 6/12/2006:
"O compromisso alcançado entre Governo e parceiros sociais prevê, além do aumento para o próximo ano, um aumento para os 450 euros em 2009 e outro para os 500 euros em 2011, isto sem pôr de parte eventuais subidas intercalares caso uma comissão tripartida, que vai ser constituída para o efeito, considerar que a evolução da economia nacional é positiva.O Governo garante que não houve qualquer contrapartida para conseguir chegar a um acordo ontem, mas as confederações patronais deixaram claro que esperam uma maior flexibilidade na legislação laboral. Francisco van Zeller, dirigente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), afirmou mesmo que “se todos pudessem ter os trabalhadores necessários também se poderia pagar salários muito mais altos”".
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Thursday, November 30, 2006
E aqui estamos. As pensões do nosso descontentamento vão bem. Neste artigo, publicado no Semanário Sol, explico o que se vai passar.
As pensões do nosso descontentamento
A proposta de reforma da Segurança Social apresentada pelo Governo ao Parlamento, para discussão e aprovação contempla: a) medidas que travam o crescimento da despesa com pensões (factor de sustentabilidade, indexação das pensões, salário de referência calculado com a carreira total, etc.), b) medidas que visam diminuir o esforço financeiro do Regime Geral Contributivo, transferindo para o Orçamento de Estado (OE) a despesa de contingências que não têm relação directa com a substituição de rendimentos (prestações familiares na sua totalidade, complementos sociais, subsídios sociais, etc.) e c) medidas que melhoram o nível da receita através do alargamento da base de rendimentos do trabalho sujeita à Taxa Social Única (TSU):
Enquanto as medidas de desaceleração da despesa com pensões, especialmente com as de velhice, continuarão a ser financiadas pelas taxas contributivas actuais, aquelas que visam diminuir a despesa com prestações não relacionadas com a substituição de rendimentos, passarão a ser financiadas por impostos directos e indirectos, como, aliás, já sucede hoje em que 2 pontos percentuais da taxa do IVA são utilizados no financiamento de prestações sociais.
Desta forma, a redução do crescimento da despesa e a transferência de encargos para o OE acompanhadas por uma política de aumento das receitas efectivas (melhor cobrança, aumento da contribuição em certos segmentos, como os liberais, eliminação de taxas reduzidas, contribuição sobre rendimentos em espécie) gera recursos suplementares para financiar as pensões do regime de repartição, que absorviam, em 2003, cerca 72% das Contribuições e Cotizações .
A despesa com pensões era, em 2003, a principal componente dos gastos da Segurança Social seguida dos gastos com os subsídios por eventualidades imediatas (desemprego e doença).
Como é evidente, são as medidas com efeito sobre o nível das pensões que terão o maior impacte sobre os saldos de exploração do Sistema Previdencial.
Vejamos então quais as medidas que vão afectar as pensões do nosso descontentamento.
1. Introdução de um Factor de Sustentabilidade ligado à Esperança de Vida no cálculo das futuras pensões a partir de 2008.
A fórmula de aplicação do Factor de Sustentabilidade, é o rácio entre a esperança média de vida verificada em 2006, e aquela que se tiver verificado no ano anterior ao requerimento da pensão.
Esta medida afecta mais as gerações que se reformem depois de 2015 do que aquelas que se reformem antes desta data.
Se, por exemplo, a esperança de vida aos 65 anos for de 17,7 anos em 2006 e de 18,3 anos em 2010 a pensão é reduzida em 3,3% em relação a uma concedida em 2006. Mas em 2020, quando se julga que a esperança de vida aos 65 anos atinja 19,4 anos, a pensão será reduzida em 8,8% em relação à concedida em 2006.
2- Aceleração da Transição para a Nova Fórmula de Cálculo das Pensões
A aplicação da nova fórmula de cálculo elimina o período de transição previsto na Lei de Bases de 2002, e regulamentada pelo Decreto-Lei 35/2002:
i. A pensão dos inscritos na Segurança Social até 2001, inclusive, e que se reformem até 31 de Dezembro de 2016, seja calculada a partir de uma fórmula transitória onde sejam proporcionalmente tidos em linha de conta o peso da carreira decorrida até 2007 e o peso da carreira subsequente.
ii. Para todos os outros contribuintes inscritos até 2001, que se reformarem depois de 2016, a nova pensão resultará do cálculo através do mecanismo de média ponderada da nova e da antiga fórmula de cálculo, com referência aos períodos contributivos decorridos até 31 de Dezembro de 2001 e aos períodos posteriores a essa data.
iii. A pensão dos novos inscritos na Segurança Social a partir de 2002 será totalmente calculada com base em toda a sua carreira contributiva.
3. Um novo Indexante para os Apoios Públicos e Novas Regras para a Indexação e Actualização das Pensões
O referencial de actualização e cálculo das prestações sociais é feito através de um novo Indexante de Apoios Sociais (IAS). À data de entrada em vigor este novo indexante apresentará um valor idêntico ao do Salário Mínimo Nacional, sendo sujeito anualmente a uma regra de actualização pré-definida (equivalente à definida para a actualização das pensões inferiores a 1.5 IAS) e independente da actualização que venha a ser aplicada ao Salário Mínimo Nacional.
Entretanto, será estabelecida uma regra clara e previamente conhecida de actualização das pensões, cujo referencial será o Índice de Preços ao Consumidor - IPC (verificado e não estimado), e tendo em conta a evolução verificada do Produto Interno Bruto (PIB), cuja evolução influencia as receitas da Segurança Social.
O aumento Anual das Pensões, a aplicar a partir de Janeiro de 2008, será efectuado com base num Indice Compósito função da Inflação e do crescimento real do PIB.
De acordo com as previsões oficiais o PIB crescerá 1,4% em 2006 e 1,8% em 2007. Em consequência só as pensões até 1,5 IAS ( aproximadamente 580 euros) verão o seu poder de compra mantido. Todas as outras perdem com a inflação, -0,25% as pensões cujo valor se situe entre 1,5 IAS e 6 IAS e –0,75% as pensões de valor entre 6 IAS e 12 IAS.
Só quando o PIB crescer 3% ou mais, o que se espera ocorra em 2009, as pensões até 6 IAS ganharão poder de compra. As acima deste patamar recuperam apenas a inflação.
4. Introdução de um princípio de limitação às pensões mais altas
a) A introdução de um limite superior no cálculo das novas pensões a vigorar a partir de 2007, que será aplicado exclusivamente à parcela do cálculo da pensão que considera os melhores dez dos últimos quinze anos de carreira contributiva, desincentivando desta forma a gestão das carreiras para maximizar benefícios na reforma;
b) O congelamento nominal de todas as pensões já atribuídas de valor superior a 12 Salários Mínimos Nacionais
5. Convergência dos regimes de protecção social
As medidas de reforma aprovadas, nomeadamente o factor de sustentabilidade, serão aplicadas num quadro de convergência entre os diversos regimes de protecção social, o que significa que serão também aplicadas aos funcionários públicos.
Eis, pois, o que espera os actuais e futuros pensionistas. Se não quiserem perder poder de compra, terão de ter reservas. O Inverno vai ser duro!
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Monday, November 13, 2006
Boa tarde fernando pessoa!
Boa tarde pereira. Onde estiveste?
A discutir a reforma da segurança social por aí.
E então?
Agora é que é! Até 2036 está tudo resolvido!
E depois?
Depois, há-de haver outra reforma, e essa é que será a melhor!
Então estamos garantidos?
Claro. Podemos encomendar um lugar na mitra!
Pode ser que ocorra um milagre!
A fé é que nos há-de salvar!
Amen
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Sunday, October 22, 2006
O periquito come alpista. O macaco banana. O burro fava rica. O Zé Povinho não mama.
Verso encontrado no Almanaque dos Desgraçados da Vida.
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Sunday, October 15, 2006
Não me levem a mal. Eu apenas quiz dar a minha opinião. Leiam este artigo a pedir desculpa da minha ousadia em querer participar no debate sobre a reforma da Segurança Social..
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/697870.html
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Thursday, October 05, 2006
Para o debate: Fernando Pessoa não dormia mas escrevia e no Martinho bebia.
http://www.de.iol.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/695243.html
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Sunday, October 01, 2006
e não se pode capitalizar?
Quando eu tiver 64 anos
Na famosa canção “When I am 64 “ os Beatles, da geração dos baby- boomers, perguntavam o que aconteceria quando se reformassem, dali a 40 anos. Se fosse hoje talvez cantassem “when I am 67” ou talvez “When I am 70”. Tudo isto porque se julga que a longevidade está a da cabo da sutentabilidade financeira da Segurança Social. Não faltam vozes influentes a afirmarem que se deve trabalhar mais e durante muito mais tempo. Já Bismarck, astuto chanceler da Prussia, ao fixar a idade de reforma aos 65 anos, tinha a certeza de que o Seguro Social nunca pagaria qualquer pensão, porque a esperança média de vida naquele tempo era de cerca 55 anos. Não quero sequer pensar que se pretende voltar a marchar por tão ínvios caminhos para melhorar as finanças da Segurança Social. Aliás ninguém tem a certeza se os aumentos da esperança média de vida, à idade de reforma, continuarão a crescer ao mesmo ritmo ou, se pelo contrário regredirão. Como dizia Lord Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos, e essa é a nossa única certeza. Morte física entenda-se, porque se formos crentes, há mais vida para além da terrena.
Acredito que existe boa fé na propostas dos que defendem o aumento da idade legal de reforma, de forma faseada, entenda-se, e em função da esperança de vida de cada geração. Parece-me, no entanto, que existem alternativas mais interessantes, que se devem explorar antes de mais, as quais para além de permitirem a liberdade de escolha do momento da reforma, possibilitam a libertação de postos de trabalho para os jovens que nessa altura querem ingressar na vida activa. A primeira é diminuir o tremendo desemprego que exclui da vida activa milhões de cidadãos na Europa Comunitária, os quais para além de não contribuirem para a melhoria das receitas, contribuem para o aumento da despesa social. A segunda é investir em teconologias que aumentem a produtividade das economias. A terceira é incentivar e melhorar a formação em ciclo de vida de forma a criar flexibilidade para o factor trabalho. No fundo tudo se resume a produzir mais e melhor com activos preparados, melhor capital produtivo e mais poupança.
Não é preciso criar reformas em idade bíblica (Matusalém viveu mais de 750 anos e não consta que se tivesse reformado) para tornar o sistema mais justo do ponto de vista intergeracional e menos desequilibrado financeiramente. Basta criar mecanismos, técnicos e fiscais, que permitam aos activos actuais constituir capitais de reforma para financiarem a longevidade e que possam complementar as suas pensões da Segurança Social de forma a manterem o seu nível de vida mesmo que se reformem, com penalização, antes da idade legal de reforma. E essa poupança é necessária para financiar a tecnologia que permitirá produzir mais e melhor, para o bolo a distribuir por activos e reformados ser maior!
Obrigar os trabalhadores com profissões de desgaste intenso, físico e psiquico, a manterem-se no seu posto de trabalho, para além do que é expectavelmente justificado, só pode criar mais desincentivos á produtividade e à renovação da força de trabalho.
Contribuir em função do se quer receber e pelo tempo que se espera viver, deverá ser o objectivo da reforma da Segurança Social em matéria de pensões. De outra maneira só pode haver confusão, frustação e incerteza.
A longevidade não pode ser encarada como um mal, mas como um tempo adicional em que, libertos de horários, cada um possa viver em função do seu próprio ritmo, e das poupanças, as entregues à Segurança Social incluídas, que amealhou.
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Monday, September 25, 2006
Artigo publicado no DE de 21-9-06
O problema da minha reforma
Chamo-me Fernando Campos Soares da Silva, sou casado, tenho 43 anos, feitos em 13 de Junho de 2006. Ganho 782 euros como ajudante de guarda livros num escritório da Rua dos Douradores. A minha mulher, um ano mais nova, é empregada num comércio de tecidos da Rua dos Fanqueiros. Tenho uma filha de 18 anos, que se candidatou, este, ano à Universidade e um menino de 11 anos, que vai agora para o Secundário. Os meus pais, já velhotes, estão reformados e moram na Madragoa num 3º andar de um prédio antigo. A pensão do meu pai com 65 anos é de 347 euros e a da minha mãe com 63 anos, reformada por invalidez, é de 313 euros.
Li que estão a mudar a regras de cálculo da pensão de velhice e que há estudos que mostram que o Estado não tem capacidade financeira para garantir a promessa que me fez. É verdade que nada ficou escrito, quando aos 21 anos comecei a trabalhar e a descontar para o Regime Geral da Segurança Social. Mas sempre ouvi dizer que o Estado era uma pessoa de bem!
Ainda me lembro bem, quando comecei a trabalhar, de o Coelho, do Expediente, me ter dito que a minha pensão seria calculada com base na taxa de formação de 2%, na carreira contributiva até aos 65 anos e na média dos 5 melhores salários dos últimos dez anos. Para mim, a reforma era longe e, por isso, não fiquei impressionado quando o Costa, do Pessoal, me informou que para uma carreira de 40 anos eu iria ter uma pensão equivalente a 78.5% do meu último salário (com base num ganho salarial real sobre a inflação de 1%). Se não me engano, o valor que ele referiu para a 1ª pensão, era de 290 contos por mês (1’450 euros).
Casei-me, em 1987, com 24 anos, e a Madalena, a minha filha, nasceu um ano depois. Foi nessa altura que eu e a Helena, a minha mulher, decidimos comprar um apartamento com 4 assoalhadas em Paço de Arcos. Pedimos um empréstimo ao Banco a pagar durante 25 anos.
A nossa vida, nesse período, não foi fácil. As creches públicas eram raras e as particulares caras. A prestação da casa, a água, a luz, o telefone e os transportes levavam mais de metade do meu vencimento de 68 contos da altura (340 euros). Com o resto pagávamos a creche da miúda e alguma roupa nova. O ordenado da minha mulher era para comida, alguma extravagância pontual e a prestação do carrito. Ao fim do mês sobrava muito pouco na conta bancária.
Em 1992 o Governo alterou as regras de cálculo da pensão. A partir desse ano, em vez dos 5 melhores salários dos últimos 10 anos, passou a usar os melhores 10 salários dos últimos 15 anos. O Costa fez uma simulação da minha pensão que baixava para 1’420 euros, ou seja, 76 % do último salário. Mesmo assim não era nada mau. Não fiquei muito preocupado e como tinha outras prioridades não fiz nada.
Entre 1995 e 2000 foi um período fausto. Os juros baixaram muito e, com o dinheiro que poupávamos, mudámos de carro, comprámos nova mobília, novos electrodomésticos, fizemos férias mais descontraídas, umas cá dentro e outras lá fora.
Em 2000 mudaram outra vez as regras de cálculo da pensão. Em vez de se basearem nos melhores 10 salários dos últimos 15 anos passou a considerar-se os salários de toda a carreira contributiva. Para além disso a taxa de formação da pensão passava de 2% ao ano, para um valor do intervalo entre 2.30% e 2%, consoante os múltiplos do salário mínimo nacional que compunham o salário do trabalhador. Pedi ao Antunes, do Pessoal, para me fazer a simulação da pensão ( o Costa já estava reformado) e o valor provável a que chegou foi de 1’397 euros. Perdia cerca de 3.6% em relação à previsão de 1984. Não era grave! Mas ao 37 anos eu era um felizardo. Como já tinha 16 anos de contribuições efectivas eu tinha uma tripla opção. Quando me reformasse eu podia escolher a mais elevada das pensões: a calculada com a fórmula antiga, a resultante da fórmula nova, ou a combinação proporcional ao tempo da nova e da antiga fórmulas. Ou seja eu ficava com os 1’420 euros. Não fiz nada porque tinha outras prioridades.
E chegamos a 2006 quando de repente o céu cai sobre a minha cabeça.
Aos 43 anos, hoje, informam-me que:
1) já não há não opção e a minha pensão será uma combinação de fórmula antiga e fórmula nova
2) par além disso, como me vou reformar em 2028, ser-me-á aplicado um factor de redução da pensão (factor de sustentabilidade) que, dependendo da esperança de vida aos 65 anos, pode chegar a 20% do seu valor.
A minha pensão, segundo o Antunes, pode chegar, com sorte e se não houver outras alterações, a 64% do último salário, ou seja mais ou menos 1’190 euros. A preços de hoje são 625 euros. Bem sei que é melhor do que pensão dos meus pais, mas eu não estava à espera deste rombo! Até porque a minha carreira contributiva, aos 65 anos, será de 44 anos de descontos e a deles foi de 25 anos!
Acontece que agora tenho que fazer qualquer coisa. Tenho de poupar! Mas como se tenho ainda um empréstimo para pagar, com os juros a subirem? Vou ter de renegociar o prazo de amortização. Mas como, se tenho encargos com as propinas da Universidade da minha filha e os estudos do miúdo? Mas como, se tenho os velhotes que precisam de uma pessoa para cuidar deles e que me custa 500 euros por mês? A soma das pensões que recebem, 660 euros, só dá para a comida, para os medicamentos, para água, luz e telefone e para a renda da velha casa na Madragoa.
Parece que a pensão dos meus filhos não ultrapassará 55% do salário final, como na Finlândia, país que, como se sabe, tem outras condições de vida, quer no apoio aos que nascem e aos jovens casais, quer na garantia de uma vida digna aos seus velhotes.
Se eu precisar, e Deus queira que não, será que eles me poderão apoiar como eu ajudo hoje os meus pais?
Dizem que as alterações são para corrigir injustiças e para financiar o aumento da longevidade. Aceito e acredito. Mas será que viver mais anos, quer dizer viver melhor? Quanto custa uma residência assistida com condições de dignidade e conforto espiritual?
Mas porque é que o Estado me prometeu o que não me podia garantir?
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Friday, September 08, 2006
Eis as pensões do nosso igualitário regime de segurança social:
Regime dos Agrícolas
247.434,00 beneficiários
Pensão média mensal
208,60
Regime Não Contributivo
40.090,00 beneficiários
Pensão Média mensal
199,70
Regime Geral Contributivo ( o do Esteves da Tabacaria)
1.383.437,00 beneficiários
Pensão Média
347,94
Como diria Alvaro de Campos (in Tabacaria)
................................................................
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
....................................................................................
Como é possível?
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Saturday, August 26, 2006
Debate e informação
Para os que se interessam com o que se passa noutros países, sejam especialistas ou não, Fernando Pessoa, se fosse vivo, teria recomendado a Alvaro Campos, engenheiro naval de Glasgow a leitura do resumo do relatório Turner (32 páginas) sobre Reforma da Segurança Social no reino Unido, em http://www.pensionscommission.org.uk/publications/2005/annrep/main-report.pdf . O relatório total tem quatrocentas e tal páginas e está em inglês.
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Thursday, August 24, 2006
relendo Alvaro de Campos sobre Orçamentos manequins e fazendas
Ó fazendas nas montras! Ó manequins! Ó últimos figurinos! Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar! Olá grandes armazéns com várias secções! Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem! Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem! Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos! Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos! Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos! Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera. Amo-vos carnivoramente. Pervertidamente e enroscando a minha vista Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis, Ó coisas todas modernas, Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima Do sistema imediato do Universo! Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!
Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks, Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes - Na minha mente turbulenta e encandescida Possuo-vos como a uma mulher bela, Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama, Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.
Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas! Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios! Eh-lá-hô recomposições ministeriais! Parlamentos, políticas, relatores de orçamentos, Orçamentos falsificados! (Um orçamento é tão natural como uma árvore E um parlamento tão belo como uma borboleta).
Eh-lá o interesse por tudo na vida, Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras Até à noite ponte misteriosa entre os astros E o mar antigo e solene, lavando as costas E sendo misericordiosamente o mesmo Que era quando Platão era realmente Platão Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro, E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.
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Tuesday, August 22, 2006
Retratos da cobrança de fraque e chapéu de côco.
A D.Arminda resolveu pôr na vitrina da sua loja a lista informática dos calotes que tem. Antigamente, antes do grande salto tecnológico o Sr. Costa, da taberna e carvoaria, usava o rol, manualizado, para registar a lista dos fiados. Daqui a alguns anos (quantos? não sei.) instala-se um chip no pescoço do cliente para lhe debitar logo em conta a dívida do supermercado. E se o cara não tiver provisão? O Banco cobre? Deus lhe pague!
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Monday, August 21, 2006
A propósito da lista dos clientes do Antunes que comem na tasca e mandam pôr no rol ( não pagam à espera de morrerem ou que ele morra), ocorreu-me transcrever o poema "Pecado Original" de Álvaro de Campos, que nunca quiz comer dobrada à moda do Porto, fria.
".....
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa Rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...)
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Friday, August 18, 2006
Recomendações de leitura a propósito do debate sobre o "Estado Social":
Artigo de opinião de Martim Avilez de Figueiredo, no Diário Económico de hoje, que Bernarodo Soares, ajudante de contabilista na firma Vasques & Cª, muito apreciaria.
" Moral social, não
O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, escreveu um texto sobre a reforma que se propõe fazer no universo do Estado Social. Como sempre, muitas das ideias que sublinhou estão certas. Mas o texto é escrito no tom virtuoso de quem se considera moralmente inatacável apenas porque se bate por ideias bondosas. E isso é um perigo.Martim Avillez Figueiredo
O início é suave: Vieira da Silva explica que a reforma do sistema se apoia em quatro pontos essenciais. Reduzir as diferenças entre as pensões do público e do privado; travar a pobreza extrema dos idosos; diminuir as pensões “milionárias” e forçar o prolongamento da vida de trabalho.
O passo seguinte é de ataque: O ministro compara estas ideias com as alternativas - que despreza.
À direita resume tudo às teses que se batem pelo ‘opting out’, classificando os seus defensores como “doutrinadores do ‘neoliberalismo’”.
À esquerda descreve as ideias como imobilistas e conservadoras, apelidando os seus adeptos de “pretensos defensores do modelo social europeu”.
Recorrendo à argumentação económica, o ministro ataca ainda estas ideias pela (in)sustentabilidade. Não porque não se paguem - antes por lançarem a factura sobre as gerações futuras. Para rematar, diz que se tratam de radicalismos que dependem de milagres, enquanto as suas são ideias exequíveis e com resultados.
Quem dera que este problema se resolvesse assim, de forma fácil.
Primeiro: o argumento económico de taxar as gerações futuras é uma falsa questão. Taxar depois ou antes é rigorosamente a mesma coisa do ponto de vista económico - depende de uma escolha.
Segundo: toda a política é escolha, sobretudo a política social. E não é correcto dizer que uma política (uma escolha) é mais eficiente do que a outra. Pode dizer-se, apenas, que uma oferece uma eficiência contra a eficiência da outra. E que qualquer uma implica ganhos e prejuízos.
Terceiro: o que falta na escolha pública portuguesa é capacidade para libertar a discussão desta pressão moral de que defender a igualdade é, só por si, moralmente mais legítimo. Não é. Maximizar o bem-estar social é tarefa nobre, mas implica sempre prejudicar uns em relação a outros. Pierre Lemieux, um esclarecido economista canadiano, dizia mesmo que a principal ocupação do Estado de bem-estar, hoje, parecia ser gerar prejudicados e favorecidos.
Quarto e último: O ministro tem de assumir que o seu caminho implica uma escolha - que premeia uns e despromove outros. E que por isso não há nada de moralmente superior na sua ideia. Sobretudo se comparado com outras - que implicam diferentes perdedores e vencedores. Sabendo isso, fica claro para todos que o importante é escolher um caminho. E que esse caminho, em política social, não pode ser “vendido” como definitivo. "
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Wednesday, August 16, 2006
Reflexões que poderiam ser subscritas por Bernardo Soares:
A longevidade à idade da reforma não significa grande coisa. O que interessa é a longevidade sem dependência. O que é mais importante: Viver até aos 90 anos com dependência a partir dos 70 anos, ou viver até aos 85 anos sem dependência até aos 75 anos? O factor de sustentabilidade sem esta clarificação é uma "caixa negra" com pouco significado. A não ser pagar mais e receber menos pela mesma carreira contributiva.
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Monday, August 14, 2006
O ministro escreve sobre Estado Social no Diário de Notícias de hoje (suplemento de economia)http://dn.sapo.pt/2006/08/14/economia/falemos_entao_estado_social.html e tem legitimidade para defender a sua reforma como o faz. De passagem critica os neo liberais, os que querem privatizar as pensões, os que não fizeram a reforma no passado (inclui Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso?), os "agentes" do "lobby" financeiro e outros "inimigos" declarados da exclusividade estatal, à esquerda e à direita. Ainda bem! Falta apenas debater, em público, e com contas independentes, porque é que o regime de repartição puro está em colapso a partir de 2036 (se não for antes). O Ministro Correia de Campos, presidente da Comissão do Livro Branco, no tempo do ministro Ferro Rodrigues, não tem a mesma opinião e escreveu-a no Livro Branco da Segurança Social publicado em 1998 (O primeiro Ministro era o Engº António Guterres). E eu também não, como Alvaro de Campos também não tinha. O contraditório é a essência do debate democrático.
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Sunday, August 13, 2006

Em 1994 publiquei este texto no Semanário Económico. Hoje voltaria a reescrevê-lo. Em homenagem ao poeta e pensador Fernando Alvaro de Campos Pessoa.
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Saturday, August 12, 2006
Felicitações...
Ao Ministro Vieira da Silva e à equipe ministerial pela gestão activa da cobrança da Segurança Social. Cada milhão de receita em dívida, cobrada atempadamente, permite fazer a reforma da Segurança Social de forma mais suave.
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Friday, August 04, 2006
O debate que é preciso fazer. A segurança social é uma combinação óptima de solidariedade+responsabilidade individual+poupança para o futuro. O Estado não pode ser pai tirano desconfiado dos seus filhos e netos.http://www.semanarioeconomico.com/entrevista/entrevista_index.html
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Sunday, July 23, 2006
Balada do reformado Costa
O senhor costa da mouraria
O tempo passava na sua loja
Dos clientes à espera de dia
A fazer contas à vida à noite.
Mal o dia amanhecia
Aí estava ele a olhar
Dizia a todos bom dia
E começava a pensar.
Que o tempo lhe fugia
Do seu eterno ficar.
Que talvez também um dia
Ele não pudesse ali estar.
Se ao menos ele soubesse
Como aprender a sonhar
Como os miúdos travessos
Na praça sempre a brincar.
O senhor costa da mouraria
Um dia não apareceu
Ninguém ouviu o bom dia
Na loja onde viveu.
Quem sabe onde estaria
Quem sabe se não morreu.
Talvez para ser diferente
Da rotina de ali estar
Sem avisar os clientes
partira para sonhar,
Como os miúdos da frente
Decidira não mais ficar.
Porque afinal ele também
Gastara todo o seu tempo
A espera de quê e de quem?
Sorrindo sem um lamento!
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Sunday, July 16, 2006
Pensamentos/reflexões/divagações..
O Primeiro Ministro, que saúdo, criticou o líder do principal partido da oposição, que também saúdo, por causa da reforma da Segurança Social, que há-de ser discutida no Parlamento. O ponto da discórdia é a dívida pública subjacente à reforma da Segurança Social. A diferença de apreciação é que o Dr. Marques Mendes quer explicitar a dívida desde já e introduzir mecanismos de capitalização no sistema enquanto que o Primeiro Ministro, adepto da manutenção do sistema de repartição ajustado com as indispensáveis correcções (fim do período de transição, factor de sustentabilidade/longevidade, etc..) acredita que a haver dívida pública, só se as medidas do governo não derem resultado a partir de 2036 (ano do primeiro saldo negativo após as medidas). Se querem a minha opinião que sou um sebastianista e fanático de Pessoa, não se zanguem, porque o melhor do "mundo são as crianças" que em 2050 não sabem em que mundo vão viver! Como dizia Lord Keynes, hoje tão mal compreendido, a longo prazo estaremos todos mortos!
Eu? quem sou? Como dizia Alvaro de Campos na Tabacaria " Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada, à parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo..."
Deixo parte do Poema Nevoeiro da Mensagem para recordar o que Fernando Pessoa já adivinhava..
" ...Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora
Valete Frates
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Saturday, July 15, 2006
Boa noite a todos os que estão a ficar preocupados com a pensão de reforma. Eu também estou e o Antunes da casa de pasto, onde almoço, também. Mas parece que agora a coisa já está outra vez bem. O pior é o aumento do preço do petróleo que pode dar cabo do admirável mundo novo dos excedentes da Segurança Social.
-Ó Ricardo, passa-me aí os pasteis de bacalhau!
-Aí vai, Bernardo!
E agora um copo à saúde do nosso Fernando que anda no Martinho da Arcada a inventar heterónimos sem direito à Segurança Social
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Tuesday, July 04, 2006
O Zé Melro vai para a reforma.
Cinquenta anos depois de começar a vender gravatas a fingir de seda, o esforçado vendedor ambulante, que tinha poiso no Rossio em Lisboa, decidiu finalmente, pôr os papeis para a reforma. Agora a quem é que vou comprar as gravatas? Porque é que não o obrigam a trabalhar até aos 100 anos? Aumentavam-se as receitas e reduziam-se as despesas. Para além disso para sobreviver o Zé Melro tinha de baixar o preço das gravatas. Ora baixando o preço das gravatas o risco de inflação diminuia também. As taxas de juro vinham por aí abaixo. O Zé Melro podia então pedir um empréstimo ao banco, a juro competitivo, para comprar um novo stock das ditas. A economia arrancava de vez e absorvia-se o desemprego estrutural. Melhoravam as finanças do Estado e a falência da Segurança Social passava à história.
A causa está para o efeito como o erro está para o defeito. Já abriram as vagas para o manicómio? Internem este internauta antes que ele continue a dizer disparates.
Advertência: Isto é só literatura. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!
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Sunday, July 02, 2006
Hoje resolvi transcrever uma artigo de 2001 publicado no DN. Nessa altura já antecipava o que se veio a passar depois. Juro que não sou adivinho, mas gostava de acertar no Euro Milhões!
"A reforma do nosso colega Fernando Pessoa
Fernando Pessoa era poeta e pensador, facto que quase toda a gente conhece. Como não era rico, para (sobre)viver, trabalhava em traduções cumprindo as suas obrigações de cidadão, mas isso também toda a gente sabe. Escreveu várias obras em seu nome e em nome de outros personagens seus heterónimos e sub heterónimos, mas isso, igualmente, também toda a gente sabe. O que pouca gente sabe é que Fernando Pessoa concorreu ao lugar de Bibliotecário da Biblioteca da Câmara de Cascais, função que se coadnuva perfeitamente com a sua paixão pela escrita e pelos livros, na década de trinta, e passados sessenta e oito anos foi-lhe atribuído o lugar, cumprindo-se finalmente o verso “Deus quere o homem sonha a obra nasce” que ele dedicou ao Infante das Caravelas. Como se sabe, Portugal é um País onde os concursos são pesados e lentos, pelos mais variados motivos que não vale a pena estar agora a mencionar, até porque não são o objecto deste artigo. Porém como diz o povo, “mais vale tarde que nunca” e agora fez-se justiça o que prova que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Mas agora que Fernando Pessoa é funcionário público, como todos os outros funcionários do Estado e das Administrações Locais, como nós, professores das mais variadas escolas, desde o ensino pré-primário até ao ensino superior, ele tem um problema delicado entre mãos. Qual e quanto vai ser a sua pensão de reforma quando tiver que cessar as suas funções de Bibliotecário, ele ou um seu heterónimo (talvez o filósofo António Mora! )? Aliás este é o mesmo problema que nós temos, uma vez que também já passámos vários concursos ao longo da nossa carreira. Será que a Caixa Geral de Aposentações (CGA), apesar da melhoria verificada nas suas contas, quando a partir de 1994 os funcionários públicos e algumas instituções passaram a descontar 10% dos vencimentos para as pensões de aposentação, vai ter recursos financeiros suficientes para, quando Fernando Pessoa e nós nos reformarmos, nos assegurar o pagamento da pensão vitalícia, reversível para o nosso conjuge, sem quaisquer problemas de financiamento? Notem que não estou a fazer nenhum processo de intenção a ninguém nem sequer a duvidar que o Estado é, e deverá continuar a ser, uma pessoa de bem que honrará sempre os seus compromissos. Apenas levanto uma questão quando se fala em Europa dos cidadãos, e perguntar, como dizia alguém, não ofende. É apenas o exercício de um direito constitucional!
O meu grande receio é que, com as restrições orçamentais impostas pelo Tratado de Maastricht, com o rácio de endividamento a não poder ultrapassar 60% do PIB, e com a preocupação de se chegar a um défice orçamental nulo, ou mesmo a um excedente, a pergunta é legítima! Ou seja, mudando as condições de base para manter a garantia, eu temo que haverão de ocorrer consequências no grau de cumprimento das promessas, até porque o Orçamento do Estado não é infinitamente elástico! Fernando Pessoa, ele próprio ou um dos seus personagens talvez não fizesse nenhum poema de júbilo, mas de certeza, Bernardo Soares, o ajudante de contabilista que ele criou, escreveria alguma prosa, pessimista, sobre o assunto. E isto apesar de já existir uma pequena reserva gerida pela CGA resultante dos excedentes de tesouraria dos últimos anos, e que está aplicada em obrigações da dívida pública.
Porque como toda a gente também sabe, o Estado enquanto entidade patronal, ao contrário do que sucede no Regime Geral da Segurança Social, não efectua a contribuição de 23.75% sobre a massa salarial, que os empresários têm de fazer neste Regime, para fazer face ao pagamento das prestações garantidas no pacote da Protecção Social dos funcionários públicos. O Estado limita-se a ir ao saco dos impostos e retira o montante necessário para cobrir as prestações do ano. Pensarão os leitores: vai dar ao mesmo! O Estado utiliza os impostos (tira do bolso direito) para fazer face a despesas correntes (mete no bolso esquerdo). Mas aí é que, de acordo com a sabedoria popular, “a porca torce o rabo”. Não é bem a mesma coisa. Por dois motivos:
Primeiro a contribuição das empresas para o Regime Geral da Segurança Social, 23.75% da massa salarial, acrescida das contribuições dos trabalhadores, 11% da massa salarial, deve ser suficiente para cobrir todas as prestações do Regime Contributivo, incluindo as pensões à idade de reforma. O excedente apurado anualmente serve para alimentar o Fundo de Estabilização da Segurança Social, nesta altura com um montante próximo dos 600 milhões de contos, que é uma almofada para fazer face a défices estruturais do regime de pensões. Se o Estado passasse a fazer uma contribuição idêntica enquanto entidade patronal, para a CGA, pelo menos na parte destinada a pensões, seria mais fácil avaliar exactamente qual a verdadeira situação financeira em termos de responsabilidades futuras, ou seja, qual o montante da dívida não titulada do Estado a respeito dos seus pensionistas actuais e futuros, e qual o acréscimo da reserva que teria de ser realizada para fazer face a um eventual défice do sistema de pensões a prazo. Saberia o funcionário público Fernando Pessoa e nós também que somos pessoas.
Segundo aumentava-se a transparência do sistema, separando o que são despesas correntes de funcionamento com salários, financiadas por impostos, das prestações diferidas com pensões, financiadas actuarialmente por uma contribuição tendo em conta a esperança de vida dos pensionistas. Ou seja poder-se-ia mais facilmente avaliar o custo de umas e de outras. Em caso de insuficiência de cobertura financeira, a reserva constituída poderia contribuir para se encontrar, com tempo, a solução mais justa e equilibrada para todos. Estado, funcionários e contribuintes.
Fernando Pessoa, agradece a preocupação e nós, seus admiradores, também! Porque como ele disse: “Porquê esperar…tudo é sonhar!”
Lisboa 15 de Janeiro de 2001"
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Friday, June 30, 2006
Bernardo Soares criado por Fernando Pessoa num dia de tédio descontou para a Caixa de Previdência dos Contabilistas durante 30 anos. A menina Isabel, empregada no escritório de Fernando Pessoa, descontou para a Caixa de Previdência dos Empregados de Escritório durante 35 anos. Morreram cedo infelizmente. Por isso não assistiram à quarta reforma da Segurança Social. 1984, 2000, 2002 e finalmente 2006. Azar o nosso. Já não lhes podemos aplicar o factor de sustentabilidade. Agora gozam do factor de horizontalidade no cemitério dos Prazeres! Ò Fernando, estás outra vez a delirar, gritou o Antunes. Fernando Pessoa foi apanhado em "flagrante delitro" quando testava um tinto do Abel.
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Wednesday, June 28, 2006
História do vovô e da sua netinha nonô
Fernando Pessoa tinha um semi-heterónimo que ninguém sabia que existia. Era o vovô Areirepiadavil que já era velho e estava à beira da reforma. De repente o governo alterou o regime das pensões, que até aquela altura era bom (muito solidário e generoso), e que depois de se fazerem as contas era mau(dado a traficâncias e iniquidades). Resultado em 2050 o regime já estava outra vez bom (isto disse-o o ministro há tempos), mas a netinha nonô quando chegou a 2050 o regime já estava outra vez mau e em 2058 estava completamente nas lonas. Resultado o vovô ficou sem pensão e a netinha ficou com a dívida do Estado. ò Fernando estás a sonhar ou quê. Vamos ao Abel tartar da vida.
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Sunday, June 25, 2006
Peça em dó menor com acompanhamento em si bemol maior
Alvaro de Campos e Alberto Caeiro encontram-se no Chiado.
Alvaro de Campos com ironia - Tu ó bucólico das flores, já tens a tua conta poupança para a longevidade eterna?
Alberto Caeiro com um sorriso à pastor - Julgas que eu sou compositor de odes marítimas? Isso é bom é para engenheiros navais.
Alvaro de Campos - Já pagaste o que devias à Caixa do Pessoa?
Alberto Caeiro - Paga mas é tu à filha da tua costureira!
Alvaro de Campos - Vê lá se queres que dê com a bengala no costado.
Alberto Caeiro - Tem juízo se não ainda acabas no Miguel Bombarda por ordem do Ricardo Reis.
A cena acaba com os dois assassinados por Fernando Pessoa. Mais duas pensões foram poupadas.
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Friday, June 23, 2006
Bernardo Soares era ajudante de contabilista num escritório da Rua dos Douradores. Felizmente não tinha segurança social. Por isso o "factor de sustentabilidade" não significa nada para ele. Fernando Pessoa seu criador e fingidor leu a carta astrológica e concluiu que a sua esperança de vida à idade de reforma nunca aconteceria. Imaginem a surpresa dele se lhe dissessem que a sua esperança de vida era de 100 anos! O Alvaro de Campos teria assassinado o Ricardo Reis em frente ao S. Carlos. Mas felizmente Alberto Caeiro há-de regressar em 2050 para festejar o saldo da Segurança Social!!! Falamos de quê? .... Ó sr. Antunes venha um prato de dobrada fria à moda do Porto para comer numa viagem para Sintra.
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Thursday, May 25, 2006
Não há duas sem três, nem quatro sem cinco.....
A minha quarta reforma. Não, não tenho quatro pensões de reforma. Quero apenas dizer que esta reforma da Segurança Social é a quarta que altera as minhas expectativas.
Comecei a trabalhar aos 15 anos e entrei no regime das Caixas de Previdência. A minha pensão de reforma era em capitalização colectiva. Existiam reservas financeiras investidas em obrigações do Estado, acções das hidroeléctricas, casas dos bairros sociais, etc. Em 1984 entrei para o regime Geral da Segurança Social e a minha pensão passou a ser em regime de repartição, isto é sem reservas. Em 2000 o PS aprovou a Lei 17/2000 que alterou a fórmula de cálculo da Pensão. Esta Lei mal teve tempo de respirar porque em 2002 o PSD/CDS aprovou a lei 32/2002 que alterava, mais na forma do que no conteúdo, a Lei anterior. Em 2006 o PS propõe alterações à Lei em vigor e introduz, nomeadamente, o factor de sustentabilidade para financiar o excesso de longevidade. Isso significa que a minha pensão vai baixar. Em quatro anos as minhas expectativas baixaram 25%! Mas continuei a pagar o mesmo. Para a solidariedade entre todos os portugueses, o que até acho bem. Dizem que não há duas sem três. Pois eu garanto que não há quatro sem cinco! Ou seja, dentro de 5 anos, estou pronto para mais uma reforma.
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Sunday, May 21, 2006
A formiga trabalhou toda a vida e nunca teve reforma. A cigarra, como não era parva, nunca mexeu uma palha. Nunca precisou de reforma, porque já nasceu cansada. Moral da história. Sem cigarra não havia história, nem formiga poupadinha. Fernando Pessoa, tradutor e correspondente de firmas estrangeiras, pelo que se sabe, também não teve reforma. Bons tempos em que os contribuintes partiam cedo para a eternidade!
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Saturday, May 20, 2006
Bernardo Soares, contabilista na Rua dos Douradores, habitando num prédio da Rua dos Douradores, comendo na tasca do Antunes na Rua dos Douradores e freguês da Tabacaria Alves na Rua dos Douradores, começou a descontar para a Caixa de Previdência aos 14 anos. Hoje tem 60 anos e Alvaro de Campos, engenheiro naval de Glasgow e poeta do Grupo do Orfeu, disse-lhe que ele vai ter um problema de longevidade e que vai viver até aos 80 anos. Portanto vai ter de trabalhar mais 10 anos. O pior é que depois de 40 anos de descontos já não adquire mais nenhum direito de pensão. Em Esparta abandonavam os velhos nas montanhas para diminuirem o envelhecimento da população. A cidade poupava uma pipa de massa e ainda ficava com os descontos para enviar os jovens atletas aos Jogos Olímpicos em Atenas.
O Zé Melro, amigo do Pereira, vendedor de bugigangas e consultor de negócios em part-time, aconselhou-o a investir em conservas, frutos secos, bacalhau, compotas, bolachas, e outros produtos de longa duração para o dia em que tiver de ir para o armazém-lar dos seniores na Rua dos Douradores. Como também vende bengalas fez-lhe um desconto de 30% numa de polietileno para quando precisar. Não deixe para amanhã o que pode comprar hoje.....
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Thursday, May 18, 2006
Sobre a reforma, Fernando Pessoa teria dito: "Como Keynes afirmava " a longo prazo" estaremos todos mortos". Portanto em 2050, se Deus quiser, já não estaremos vivos para vermos o resultado das decisões que tomarmos em 2006. Bernardo Soares que era um pessimista, não descontava para a Caixa de Previdência dos Contabilistas, porque tinha a impressão que ía morrer cedo. Aliás no enterro de Ricardo Reis, seu companheiro de odes e pagodes, Alvaro de Campos tinha-lhe sussurado ao ouvido "eu não te dizia que o tipo, apesar de ser médico, não controlava a tensão arterial!". Quem vai agora herdar a casa do Bairro Alto?
O Pereira é que tem razão. O Zé Melro, que vende gravatas e bugigangas, não aceita cheques e gasta tudo hoje, porque amanhã pode estar morto! Abrenúncio!
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A partir de hoje e de vez em quando Fernando Pessoa, os heterónimos e os ortónimos divagam sobre Segurança Social. Afinal é mesmo um "problema" e não uma certeza.....
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Monday, May 15, 2006
Fernando Pessoa e a reforma da Segurança Social...a seguir
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